O Guarani Futebol Clube da cidade de Campinas, no interior do estado de São Paulo, atualmente disputa a Série C do Campeonato Brasileiro e a Série A1 do Campeonato Paulista. O "Bugre", como é conhecido, tem 102 anos de idade e marcou o seu nome na história do futebol nacional.
Mas antes de contar o grande feito desse pequeno grande time, vamos falar um pouco da sua história.
Em Março de 1911 um grupo de adolescentes resolveu montar um time na cidade de Campinas, conhecida como Princesa d'Oeste, e já no dia 1º de Abril ocorreu a reunião de fundação do novo clube de futebol, na Praça Carlos Gomes. Nesse encontro compareceram 12 jovens: Vicente Matallo (18 anos), Antônio de
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| Praça Carlos Gomes: local da fundação do Guarani |
Nessa reunião foi escolhido o nome do clube, Guarany Foot-Bal Club - em homenagem a obra do maestro Carlos Gomes -, e as cores verde e branco, além de estipular uma mensalidade de 500 mil réis para os sócios. Mas para evitar futuras gozações, devido ao Dia da Mentira, a oficialização da data de fundação do clube foi no dia seguinte (2 de abril).
| Vicente Matallo: primeiro presidente do Guarani |
Já no ano seguinte a fundação, o Bugre começou sua história de conquistas pelo interior sendo vice-campeão da liga campineira, que foi seguida por vários outros campeonatos, geralmente vinculados a Federação Paulista de Futebol e a Liga Campineira de Futebol.
Mesmo sendo um time do interior paulista e sem disputar grandes campeonatos nacionais, o time forneceu jogadores para a Seleção Brasileira Principal. Em 1956, o time paulista teve o goleiro Paulo Martorano convocado para disputar o Campeonato Sul-Americano de Seleções (atual Copa América), na qual atuou como reserva de Gilmar nos 5 jogos da competição. Em 1963 o Bugre teve outros jogadores convocados para a seleção principal. Foram chamados Tião Macalé, Oswaldo, Amauri Silva e Hilton Vaccari para disputarem o Campeonato Sul-Americano de Seleções daquele ano, que foi realizado na Bolívia.
O time paulista só se profissionalizou em 1947 e, com essa nova fase, veio a necessidade de um novo estádio. Mas a área do antigo estádio, conhecido como "Pastinho", não comportava a reforma que estava sendo pensada e o clube precisava de um novo terreno para iniciar a construção. A solução veio em 1948, quando uma imobiliária resolveu lotear uma área da Guanabara ofereceu um lote de mais de 50 mil metros quadrados para o clube, local esse onde o novo estádio seria construído.
Sem apoio do dinheiro público, o Guarani conseguiu construir e inaugurar sua nova casa em 1953, que ficou comumente conhecido como Brinco de Ouro. Um jornalista da época noticiando a inauguração do novo estádio disse que ele era o "brinco de ouro da Princesa" e, com isso, o nome acabou pegando entre os torcedores. O estádio é conhecido assim desde aquele tempo.
O Brinco de Ouro vem sofrendo reformas de tempos em tempo, mas não deixou de ser palco de grandes jogos. Foi essa casa que viu a maior conquista do Guarani: o Campeonato Brasileiro de 1978.
O CAMPEÃO QUE VEIO DO INTERIOR
78 foi ano de Copa do Mundo e a política militar incentivou a participação dos times no campeonato nacional e nesse ano 74 clubes estiveram na disputa, dividida em três fases, além das quartas de finais, semifinais e finais.

Mesmo jogando contra grandes times de expressão nacional, o Guarani não se intimidou e acabou chegando a final do campeonato nacional. O primeiro jogo da final foi contra o Palmeiras no Morumbi, em 10 de Agosto. Mais de 99 mil pessoas viram Zenon marcar o gol da partida.
O jogo de volta foi no Brinco de Ouro lotado, com mais de 27 mil pessoas. Mesmo podendo perder o Bugre não deu chance ao Verdão (que naquela época tinha Emerson Leão como goleiro) e aos 36 minutos o jovem Careca (aquele mesmo que mais tarde seria ídolo da seleção brasileira) definiu o placar da final (1x0) e o Guarani levantou a taça de Campeão Brasileiro.
Depois desse dia, o Guarani de Campinas passou a ser conhecido como o primeiro, e único, campeão nacional do interior.
PÓS-TÍTULO DE 78
A primeira herança do título brasileiro de 78 foi o direito de disputar a Copa Libertadores da América de 1979. O Guarani estreou na principal competição das Américas no dia 28 de fevereiro contra o Alianza Lima e goleou os peruanos por 3x0. Além do Alianza, o Bugre enfrentou na primeira fase o Universitario - também do Peru - e o Palmeiras. Depois de marcar 16 gols em seis jogos - sendo cinco vitórias e uma derrota -, os campineiros avançaram a fase seguinte quando se depararam com o Palestino do Chile e o Olímpia do Paraguai (que viria a ser o campeão). Os resultados nessa fase - três empates e uma derrota - eliminaram o Guarani. Mas o clube deixou sua marca naquela Libertadores ao fazer o artilheiro da competição: Miltão com 6 gols.
Por duas vezes na década de 80 o Bugre ficou próximo levantar o caneco de campeão brasileiro. Foram nos anos de 1986 e 1987, quando ficou com o vice ao perder para São Paulo e Sport Recife, respectivamente. No Paulistão mais um vice quando perdeu dentro de casa o título para o Corinthians em 1988.
No início da década de 90, Amoroso, Luizão e Djalminha fizeram um trio ofensivo de apavorar qualquer grande clube brasileiro. Apesar de não trazerem nenhum título para o clube, os jovens ficaram marcados no coração do torcedor bugrino com muitos gols, jogadas incríveis e jogos memoráveis. A terceira colocação no Campeonato Brasileiro de 1994 e a artilharia de Amoroso (o atacante marcou 19 gols ao lado de Túlio Maravilha) ficaram de consolo.
TEMPOS ATUAIS
Infelizmente a grandiosidade de outros tempos não acompanha o Guarani atualmente. Irregularidade seria uma boa palavra para definir as campanhas bugrinas no Brasileirão e no Paulistão. Nos últimos dez anos, o clube só figurou na primeira divisão do Campeonato Brasileiro por duas vezes (em 2004 e 2010). A série A2 do Paulista também entrou no currículo do glorioso Guarani (2007, 2010 e 2011). Nem o vice-campeonato no Paulistão em maio de 2012 melhoraram as coisas pelos lados do Brinco de Ouro. Em novembro, o clube encerrou a sua participação na Série B do Brasileirão na 18° colocação e terá que disputar a Série C em 2013. Quando parece que não pode ficar pior... o clube faz péssima campanha no Paulistão deste ano e corre sérios riscos de voltar a Série A2.
Ao completar 102 anos de história na última terça-feira (2), o Bugre vê sua dívida em um patamar assombroso: 140 milhões de reais. Para se manter respirando, o clube conta com a ajuda de patrocinadores e empresários parceiros.
| Brinco de Ouro |
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| Escudo de 1978 |
O Brinco de Ouro vem sofrendo reformas de tempos em tempo, mas não deixou de ser palco de grandes jogos. Foi essa casa que viu a maior conquista do Guarani: o Campeonato Brasileiro de 1978.
O CAMPEÃO QUE VEIO DO INTERIOR
78 foi ano de Copa do Mundo e a política militar incentivou a participação dos times no campeonato nacional e nesse ano 74 clubes estiveram na disputa, dividida em três fases, além das quartas de finais, semifinais e finais.

Mesmo jogando contra grandes times de expressão nacional, o Guarani não se intimidou e acabou chegando a final do campeonato nacional. O primeiro jogo da final foi contra o Palmeiras no Morumbi, em 10 de Agosto. Mais de 99 mil pessoas viram Zenon marcar o gol da partida.
O jogo de volta foi no Brinco de Ouro lotado, com mais de 27 mil pessoas. Mesmo podendo perder o Bugre não deu chance ao Verdão (que naquela época tinha Emerson Leão como goleiro) e aos 36 minutos o jovem Careca (aquele mesmo que mais tarde seria ídolo da seleção brasileira) definiu o placar da final (1x0) e o Guarani levantou a taça de Campeão Brasileiro.
PÓS-TÍTULO DE 78
A primeira herança do título brasileiro de 78 foi o direito de disputar a Copa Libertadores da América de 1979. O Guarani estreou na principal competição das Américas no dia 28 de fevereiro contra o Alianza Lima e goleou os peruanos por 3x0. Além do Alianza, o Bugre enfrentou na primeira fase o Universitario - também do Peru - e o Palmeiras. Depois de marcar 16 gols em seis jogos - sendo cinco vitórias e uma derrota -, os campineiros avançaram a fase seguinte quando se depararam com o Palestino do Chile e o Olímpia do Paraguai (que viria a ser o campeão). Os resultados nessa fase - três empates e uma derrota - eliminaram o Guarani. Mas o clube deixou sua marca naquela Libertadores ao fazer o artilheiro da competição: Miltão com 6 gols.
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| No showbol, Luizão e Amoroso revivem parceria dos anos 90 e festejam volta ao Guarani. (FOTO: Divulgação) |
No início da década de 90, Amoroso, Luizão e Djalminha fizeram um trio ofensivo de apavorar qualquer grande clube brasileiro. Apesar de não trazerem nenhum título para o clube, os jovens ficaram marcados no coração do torcedor bugrino com muitos gols, jogadas incríveis e jogos memoráveis. A terceira colocação no Campeonato Brasileiro de 1994 e a artilharia de Amoroso (o atacante marcou 19 gols ao lado de Túlio Maravilha) ficaram de consolo.
TEMPOS ATUAIS
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| Montoya lamenta o rebaixamento à Série C de 2013 após derrota para o São Caetano. (FOTO: Fernando Dantas/Gazeta Press) |
Ao completar 102 anos de história na última terça-feira (2), o Bugre vê sua dívida em um patamar assombroso: 140 milhões de reais. Para se manter respirando, o clube conta com a ajuda de patrocinadores e empresários parceiros.




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